quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Blues,blues,blues



Há pouco mais de duas semanas atrás, recebi uma das melhores noticias do ano, um amigo me informou sobre a vinda da lenda viva do blues, Buddy Guy faria uma apresentação em um evento de curadoria da telefônica, o telefônica Open Jazz nesta ocasião colocaria um certo tempero ao Jazz e pra isso nada melhor que o blues em pessoa, o palco formado no parque da independência frente ao museu, a data do show no entanto que no meu caso traria um ingrediente a mais, como diz a máxima do blues, o blues é nada mais do que um homem se lamentando pela mulher que um dia teve, e esse era o meu caso, já que a data do dia 29/11/2009 marca o fim de um longo período afetivo, a tristeza pelo desenlace deu lugar aos acordes eletrizantes e cheios de expressão do velho buddy.
Minutos antes do show o sol queimava minha face, deitado no gramado próximo ao palco, fui induzido ao sono pelos fraseados jazzísticos da cantora americana Diana Reeves, sono esse que descansará o corpo cansado da longa noite anterior, onde tive outro desencontro no campo amoroso, fui injustiçado pelos belos olhos claros de uma moça onde possivelmente encontraria minha redenção, mas neste caso fora a punhalada que me fez sentir como em um velho blues, quando se aproximou o momento da entrada de Buddy ao palco, me aproximei da grade sem grandes dificuldades enquanto muita gente ainda se adrentava ao parque, em um desses momentos de Hollywood a lenda viva do blues, Buddy Guy entrou no palco, em seu primeiro acorde a bela tarde paulista, deu lugar as águas do Mississipi.
Chovia muito, a linha melódica de suas frases, e o modo como ele coloca as notas, deixa bem claro o porque de tanta idolatria entre os bluesmans, reconhecido entre eles como um dos melhores, se não o melhor guitarrista de todos os tempos, também conta com seu vocal assombroso e carregado de escárnio, o mais curioso é como os acordes me deixavam arrepiado, dizem que quando se tem um contato com algo sobrenatural, o corpo denuncia a presença com calafrios, e foi exatamente o que eu senti com aqueles blues. como se estivesse diante um demônio, e definitivamente esse contato foi comprovado atravez da canção hoochie coochie man, um hino do blues, I got mojo working confirmou a interação com a platéia , e musicas como fiver e vodoo child, só confirmaram os rótulos de melhor guitarrista da atualidade, mas tudo o que eu tentar descrever sobre o show não será condizente com o espetáculo visto, belas mulheres, chuva, e o bom e velho blues invadindo a cidade dos contrastes.

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