sexta-feira, 13 de agosto de 2010

À deriva



Pra chegar na minha cama tem que passar pela sala
!

De todas as vezes que fui surpreendido está foi de longe a mais impactante, quando me preparava pra gastar os cinco minutos contidos dentro de um cigarro, fui surpreendido pela aparição de uma bela “menina” que a muito não via, após a introdução do dialogo notei como o semblante da menina que conheci estava modificado, o tom de voz e a postura não eram as mesmas, esta “estranha” conhecida não era a mesma, eu sou um dos que defendem a teoria que as mulheres evoluem mais prematuramente que os homens, mas neste caso é notório que a bela moça está à frente das demais.

A afinidade foi constatada com o passar das horas, os diálogos eram interrompidos somente com o surgimento de outro assunto, e assim constantemente eu era cada vez mais adepto a está rara personagem, é interessante ouvir meu ponto de vista ser dito por outra pessoa, pessoa essa que nunca demonstrou tamanha habilidade de raciocínio e de visão, foram horas que passaram em um piscar de olhos, a hora da partida anunciada varias vezes se estendia madrugada adentro.

Não sei se por uma simples questão de afinidade ou talvez por apenas estar seduzido pelos olhos fixos da bela “menina”, o fato é que a agora eu era o menino em seu colo, escutando as batidas do seu pequeno coração, que acelerava e diminuía conforme as minhas palavras eram pronunciadas de forma subjetiva, fui totalmente induzido e envolvido, acredito que o inevitável aconteceu, em uma madrugada a típica, em um misturado de juízo e razão, carinho e desejo, inconseqüência e medo, as palavras ditas agora eram sussurros, a distancia que existia de um sofá pra outro já não existia, e no apagar das luzes os olhares foram substituídos pelo tato, em um súbito momento de juízo, foi anunciada a hora da partida, o que se despiu se despediu, em meu retorno ao meu mundo agora encantado, me dei por conta os ganhos dessa noite, pra quem pediu um pouco de açúcar, se ver dentro de uma sala cheia do doce mel deixado é bem mais do que o pedido, a vida é no mínimo curiosa e são nestes momentos que me sinto vivo, e por isso digo que é bom estar em um barco sem porto , sem rumo e sem velas, por que neste mar existe sempre o fator surpresa, a deriva nunca se sabe qual será as próximas léguas e como será essa nova odisséia, tempestosa, suave ou agitada tanto faz, afinal pouco quero saber sobre o que está por vir.